O credor disse…
Toque na frase que ele usou. Todas se respondem quando ele levanta, nunca antes.
Nenhuma objeção com essas palavras. Tente outra.
“Por que o desconto é tão grande?”
“Vou te mostrar de onde vem esse número. Quem compra o seu crédito vai esperar [X] anos pelo mesmo pagamento que você espera hoje, correndo o risco de atraso do [ente devedor] e de mudança nas regras. O preço é a tradução desse tempo e desse risco. Agora te devolvo a pergunta: considerando [implicação que ele relatou], o que vale mais para você, resolver isso este mês ou continuar aguardando?”
Não conceda nada aqui.
“Me manda o valor por WhatsApp, não precisa de reunião”
“Eu mando sim, e mando por escrito logo depois. Só que primeiro eu te mostro a situação real do seu precatório na tela e como cheguei nesse número, porque valor solto não te dá condição de avaliar se é bom ou ruim para você. São trinta minutos e você decide com a informação toda na mão. Hoje às [hora] funciona?”
“Vou esperar receber tudo”
“É uma decisão legítima e eu respeito. Só quero deixar os dois cenários claros para você comparar.
Esperar significa continuar na fila com estimativa de [ano], em um regime que mudou no ano passado e passou a limitar quanto o [ente devedor] pode pagar por ano. Nesse caminho o seu crédito é corrigido, mas correção só repõe, ela não faz o dinheiro trabalhar. E [situação relatada] continua parada junto.
Antecipar significa R$ [valor] na sua conta em [prazo], para resolver o que você me contou que está esperando.”
“E tem um terceiro caminho que quase ninguém sabe que existe: você pode ceder só uma parte e manter o resto na fila, no seu nome. Quer que eu calcule assim?”
“Meu advogado disse para não ceder”
“Faz todo sentido você ouvir ele. Melhor ainda: chama ele para a nossa conversa, que eu mostro a análise na tela para vocês dois e ele tira as dúvidas técnicas comigo direto. Prefiro isso do que você ficar no meio de duas opiniões.”
Verifique se o advogado tem honorários destacados no mesmo precatório, o que costuma explicar a resistência.
“Como sei que vocês são confiáveis?”
“Pergunta certa de se fazer. Vou compartilhar a tela agora com o CNPJ, o endereço e o site da empresa, e te mostro o contrato modelo antes de qualquer coisa. Você pode conferir tudo e mostrar para o seu advogado. E tem um ponto que é o mais importante: a transferência do crédito só se conclui dentro do processo, com homologação do tribunal. Não é nada por fora, e você não paga nada em nenhuma etapa.”
“Recebi proposta melhor de outra empresa”
Levar direto ao comitê é entrar na guerra de preço pela porta que o concorrente escolheu. O certo é mudar o critério de comparação antes de falar em dinheiro, porque o abuso mais comum desse mercado é justamente o número alto que encolhe depois da conferência documental.
“Ótimo que você esteja comparando, é o certo a fazer, e eu vou te ajudar a comparar direito. Me responde quatro coisas sobre a outra proposta.
Primeiro: o valor que eles te passaram é líquido na sua conta, ou ainda desconta imposto, taxa ou honorário? …
Segundo: em quantos dias eles pagam depois da assinatura, e isso está escrito no contrato ou foi falado? …
Terceiro: eles já te mostraram o seu processo no sistema do tribunal, como eu fiz aqui, ou mandaram só o número? …
Quarto, e é o que mais pega: a proposta deles pode mudar depois da conferência dos documentos? Porque a minha eu te disse desde o começo que é condicionada, e a maior parte das reclamações desse mercado vem de gente que recebeu um número alto no WhatsApp e assinou por outro lá na frente.
Confere esses quatro pontos com eles. Se depois disso a proposta continuar melhor de verdade, feche com eles que é o certo para você. Se aparecer alguma diferença, me chama que eu comparo com você.”
Isso é comparação honesta e é o enquadramento mais forte disponível, porque um credor que faz essas quatro perguntas ao concorrente costuma voltar.
“Preciso do dinheiro urgente, dá para adiantar?”
“Entendo a urgência e vou trabalhar no ritmo mais rápido que a operação permite. Mas não vou te prometer prazo que não existe: com os documentos em mãos, a conferência sai em [X] dias úteis e o pagamento em até [prazo] depois da assinatura. Prefiro te dar a data real e cumprir.”
“Vou pensar”
“Claro, é uma decisão importante mesmo. Me ajuda com uma coisa: o que especificamente você quer pensar melhor? É o valor, é o prazo, é conversar com alguém? …”
Se a resposta for vaga, é indecisão e não falta de informação. Vá para o bloco 11 e faça a recomendação pessoal. Se for concreta, marque a decisão com data: “Perfeito. Então marco de te ligar [dia] às [hora] para a gente fechar esse ponto. Pode ser?”
“Esse valor mudou depois, não foi o que você falou”
“Você tem razão em cobrar isso, e é justamente por isso que eu te disse na reunião que a proposta valia mediante a conferência dos documentos. O que apareceu foi [fato concreto], e isso muda [o que muda]. Vou te mostrar na tela exatamente onde está. Se depois disso não fizer mais sentido para você, eu entendo perfeitamente.”
“E se eu me arrepender depois de assinar?”
Objeção nova, cada vez mais comum, e a resposta precisa ser reta:
“Vou ser direto com você porque é importante: depois de homologada, a cessão é definitiva, não tem volta. É por isso que eu insisti para o [acompanhante] estar nessa conversa e é por isso que eu prefiro que você durma sobre o assunto a te apressar. Se você tem dúvida hoje, não assina hoje. Assina quando não tiver.”
Perde-se algum negócio dizendo isso. Ganha-se muito mais em assinaturas que não desandam e em indicações.
As objeções são o bloco 16 do material. Abrir o bloco inteiro.